quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012
Hugo e a (Re)Invenção do Cinema
terça-feira, 31 de maio de 2011
O Cisne Negro de Aronofsky

Não é de hoje que o diretor Darren Aronofsky nos trás filmes com temas psicológicos e pertubadores, eu digo pertubador pelo fato dele tornar tudo aquilo em algo possível diante dos olhos da platéia, a transformação de Natalie Portman - Delicada e suave, evidenciada pelas suas roupas claras e maquiagem inexistente - em um cisne negro, sedutor e poderoso. Foi esse o impacto que o filme me causou, perceber de leve a mudança de personalidade da menina que se vê obrigada a se tornar mulher por uma causa de outro, no caso o coreógrafo Thomas que deseja ardentemente que ela interprete os dois personagens no espetáculo. É interessante analizar a personagem de Natalie Portman como um ovo, ela guarda dentro dela o cisne negro, ela só não estava pronta ainda para liberá-lo, talvez nunca esteve, por isso não suportou o 'crash' de sua casca frágil e nos leva ao fim trágico e por que não poético de uma bailarina que vivia para sua profissão. Outro fator importante desta obra são suas cores, iluminação, e até suas interpretações ocultas, como as da mãe da personagem que assume um papel dominador, sem exatamente se mostrar dominante. O fato dela ter sido bailarina, e provavelmente ter fracassado durante a carreira nos deixa crer que a Mãe deposita toda e qualquer esperança de auto-afirmação na filha. Sendo um ponto crucial para a Pressão sobre a casca do ovo, até sua ruptura. Sobre a fotografia, é indispensável perceber o mundo monocromático que basicamente inunda a tela, exceto por tons de rosa e toques sutis para a construção do 'Cisne branco', quando Natalie passa a incorporar o 'Cisne Negro' esses detalhes vão desaparecendo, e cores escuras ganham a tela.
Um último ponto também é interessante ressaltar, é um filme para apreciar, deixar fluir e ao final encarar como uma obra de poesia, música e cor. Não espere um thriller comum, não espere sustos quase que premeditáveis. Cisne negro é unico em varios aspectos, até que se fechem as cortinas do espetáculo.
quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011
Os Amores Imaginários de Dolan

Xavier Dolan ( um novato para mim ) é diretor e um dos atores principais do filme fazendo Francis que é amigo de Marie ( Monia Chokri ) que parece ter saído dos anos 60 com uma caracterização incrível e super expressiva. Ambos conhecem um jovem encantador, praticamente perfeito, amante de artes, moda, e tudo o mais que couber na lista ele vem como um anjo nas suas primeiras cenas, sendo dissecado pelos olhos tanto dos personagens como dos expectadores, Nicolas é um ideal quase metafórico do que se deseja, e mais ainda ele desperta algo tanto em Francis quanto em Marie, esse é o conflito, aí é que se destrói a felicidade dos dois amigos.
Durante todo o filme, acontece aquela pergunta 'será que ele é?' e ao mesmo tempo nos perguntamos, 'se ele é, porque dá tanto carinho para Marie?' e esse jogo de dúvida fica nos alfinetando durante o filme, culminando em uma briga memorável entre as folhas das árvores entre Marie e Francis, que são observados do alto por Nicolas, que apenas sorri e solta a frase que mais marca o filme: " Quem me amar mais que me siga " e vai embora. Daí em diante imaginei que haveria algo mais a destruir a vida daqueles dois. Porém o filme toma um rumo mais interessante de se ver e tentar compreender, uma espécie de mensagem para aqueles que se veem nessa situação terrível.
Claro que alguns pontos se tornam exagerados, porém imagino que não seja tão diferente da vida real, idealizarmos um amor a ponto de rompermos com tudo, a sociedade e a melhor amizade até mesmo seus sonhos. Xavier Dolan transpos para a tela um desespero que só quem passa por tal desilusão amorosa poderá absorver e quem sabe deixar cair lágrimas perante o sofrimento calado de Francis.
Never Let Me Go de Romanek

Eu comecei a ler o livro de Kazuo Ishiguro, Never Let me go. Mas como era em inglês a leitura se tornou muito cansativa e larguei de mão. Não posso dizer se a adptação é fiel ao livro, porém o que eu vi na tela foi bem prazeroso. Boas atuações, ótima fotografia, texto impecável e um sentimento de perda que fica no final se deve à tudo isso, pois quando o filme acabou foi dificil não pensar na vida daqueles personagens, e no que eles largaram mão para existirem.
Never Let me Go tem uma premissa no mínimo interessante, ao procurar sobre o filme pode-se esbarrar no gênero ficção científica. mas porque?! simples, a ficção científica está lá para quem quiser ver, mas tem que querer ver, pois ela usa uma capa da invisibilidade de tons pastéis, o que eu acredito ser um trunfo do longa. Camuflar os tons genéricos e transformar em algo novo, pois quem iria imaginar que algo tecnológico e científico poderia sair de um filme de tão sutil tema como a vida e a morte, e é claro, o amor.
O filme começa com um belo texto, narrado pela protagonista Kathy ( Carrey Mulligan de Educação ) que deixa claro uma cadência e nostalgia quase que burguesas ao relembrar do passado no colégio interno em que cresceu praticamente desde criança até a maioridade, e daí ela começa a contar fatos ocorridos no local, é aí que percebemos que algo é diferente, o lugar é totalmente isolado do mundo afora, as crianças não podem passar dos muros ou recebem punições e parece ter um ar de mistério envolvendo pulseiras magnéticas e uma máquina de controle. Fora todas as estranhezas a vida lá dentro é como uma outra qualquer, eles se irritam, se apaixonam, fazem laços de amizade e criam raízes, o que é fundamental para a questão humana da trama.
Pois é na questão humana que tudo deságua, quando descobrimos o mistério das crianças do internato, um novo mundo parece se abrir e o que era para ter sentido passa a não ter nenhum, mas isso não é defeito da direção, e sim algo a ser explorado pois o tema proposto é interessante o bastante para estabelecer o que cada um dos personagens representa naquele contexto. Ressalto também as atuações secundárias e Keira Knightley fazendo uma espécie de vilã redimida está muito boa e convence no discurso de arrependimento. E Andrew Garfield está ótimo com o peso dramático certo e seu papel no final do filme se torna poético o bastante para dar aquele aperto no peito. E se fosse comigo?
O Lugar Qualquer de Coppola

É da auto-reflexão e da própria solidão de existir nesse mundo vago que se baseia Somewhere, o mais recente de Sofia Coppola. O filme é uma obra basicamente composta pelo vazio que é a vida do personagem principal ( Stephen Dorff ) - Um ator de filmes genéricos de ação que se vê num hotel chique e quase mitológico entre os famosos de hollywood, vivendo dias de ociosidade e conforto, com direito à duas strippers dançando pole-dance toda noite ( e essa cena é um dos trunfos do filme ).
Durante sua estada no Chateau Marmont - o filme foi rodado no lugar real - Johnny Marco de braço engessado recebe a visita da filha Cleo ( Elle Fanning ) e isso parece ser um sol no tempo nublado, a menina simplesmente torna o tédio em ouro com momentos singelos, porém muito carregados de emoção e amor pai-filha, uma das minhas sequências favoritas é exatamente a que mostra esses momentos sob o embalo da voz de Julian Casablancas dos Strokes, é sublime. A partir do momento em que é mostrada a mudança na vida de Johnny, sabemos que tudo aquilo terá que ter um fim, pois na vida existem momentos que servem para nos tirar da mesmiçe, como uma epifania, e foi isso que Cleo significou naquele momento. Uma esperança.
Na sequencia final, quando Johnny se vê sem a filha novamente, percebemos o que é a solidão apresentada nos segundos iniciais - quando ele dá voltas numa pista deserta durante tempo suficiente para nos perguntarmos o que leva uma pessoa a fazer aquilo. E a resposta é simples. Vazio. E o interessante de se ver, é como encaramos com naturalidade todos os contratempos mostrados, a exploração da mídia, as banalidades do mundo, assim como momentos de glória pública que todos tanto anseiam. Tudo isso perde para minutos com a filha brincando de cházinho no fundo de uma piscina.
As Suicidas de Coppola

O ponto deste filme não é o porque dessa menina acabar com a própria vida sem um motivo mais terrivel do que a vida que ela levava, porque ela não teve paciencia e esperou sair de casa. O Ponto é até que ponto podemos viver no sistema, até que ponto suportamos a inutilidade e o vazio existencial. Esse limite é testado quase todo dia para quem pensa nisso e se torna um fatigante momento de desespero, perceber que estamos numa roda viva sem esperança.
É essencial ressaltar que o filme é belíssimo em fotografia, trilha sonora, e atuação das meninas Lisbon, e que até os meninos - que narram a a história - não são menos importantes, pois eles levantam as questões principais citadas. A partir do momento em que uma delas ( Lux - Kirsten Dunst) começa a sair da linha, do limite do sistema, o spais repressores tomam atitudes terríveis para jovens em crise, ordenam que ela queime todos os discos de rock, e que nunca mais saiam de casa. As quatro irmãs Lisbon então passam a viver no mundo recluso, longe do perigo, porém criando uma situação mais difícil ainda em suas mentes. Como escapar?
E é exatamente a pergunta 'Como escapar?' que leva ao desfecho do filme, que foi surpreendente de início e logo depois não mais, já que é tratado de uma forma passageira nas telas, o que realmente seria na vida real. vidas vem e vão, não importa se são de quatro jovens ou quatro idosas.
A Educação de Scherfig

