
Não é de hoje que o diretor Darren Aronofsky nos trás filmes com temas psicológicos e pertubadores, eu digo pertubador pelo fato dele tornar tudo aquilo em algo possível diante dos olhos da platéia, a transformação de Natalie Portman - Delicada e suave, evidenciada pelas suas roupas claras e maquiagem inexistente - em um cisne negro, sedutor e poderoso. Foi esse o impacto que o filme me causou, perceber de leve a mudança de personalidade da menina que se vê obrigada a se tornar mulher por uma causa de outro, no caso o coreógrafo Thomas que deseja ardentemente que ela interprete os dois personagens no espetáculo. É interessante analizar a personagem de Natalie Portman como um ovo, ela guarda dentro dela o cisne negro, ela só não estava pronta ainda para liberá-lo, talvez nunca esteve, por isso não suportou o 'crash' de sua casca frágil e nos leva ao fim trágico e por que não poético de uma bailarina que vivia para sua profissão. Outro fator importante desta obra são suas cores, iluminação, e até suas interpretações ocultas, como as da mãe da personagem que assume um papel dominador, sem exatamente se mostrar dominante. O fato dela ter sido bailarina, e provavelmente ter fracassado durante a carreira nos deixa crer que a Mãe deposita toda e qualquer esperança de auto-afirmação na filha. Sendo um ponto crucial para a Pressão sobre a casca do ovo, até sua ruptura. Sobre a fotografia, é indispensável perceber o mundo monocromático que basicamente inunda a tela, exceto por tons de rosa e toques sutis para a construção do 'Cisne branco', quando Natalie passa a incorporar o 'Cisne Negro' esses detalhes vão desaparecendo, e cores escuras ganham a tela.
Um último ponto também é interessante ressaltar, é um filme para apreciar, deixar fluir e ao final encarar como uma obra de poesia, música e cor. Não espere um thriller comum, não espere sustos quase que premeditáveis. Cisne negro é unico em varios aspectos, até que se fechem as cortinas do espetáculo.