quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Hugo e a (Re)Invenção do Cinema

    
Tudo e todos tem um motivo e uma função para existirem, somos pequenos autômatos produzindo, criando, construindo, modificando e Inventando. Todos temos um propósito e algo para fazer neste mundo. Porém se alguma peça faltar, se alguma chave não girar, alguma engrenagem solta travar, não funcionamos. É por isso que precisamos de alguém (não apenas alguma coisa) que nos conserte, que nos reinvente. Um amor, uma amizade, um momento com a família, um sorriso, até uma palavra de afeto. São todas peças essenciais nessa grande máquina que chamamos de vida.
    Com essa mensagem clara e sincera, Hugo ( EUA 2011) e sua invenção ( Aqui no brasil o título é A Invenção de Hugo Cabret ) nos mostram que, seja o Autômato que recheia o cerne do filme, seja o próprio conceito de que somos nós engrenagens perfeitas no relógio da vida, nós somos essenciais para a funcionalidade do ser. Somos essenciais um para com os outros, seja criando relógios ou filmes que geram catarses tão poderosas em nossas vidas que passamos a adquirir visões de mundo diferentes, e tomamos rumos inesperados.
    É essa poesia que o veterano Martin Scorsese nos mostra em um ritmo lento porém necessário, em um fluxo   de imagens lindas de paris (Não por acaso paris) e sua technicolor ( fotografia já marca registrada de seus filmes) construindo o cenário de um filme, que a cada cena se auto revela uma homenagem ao próprio cinema dentro do cinema, praticamente uma aula de história para os cinéfilos. Sem revelar muito, aguarde o autômato e sua mensagem secreta. A melhor surpresa do filme é a mensagem e como a história se transforma para nós que estamos assistindo e já compreendemos o que significa o que é mostrado a Hugo ( Asa Butterfield ) e Isabelle ( Chlöe Moretz ).E um elenco de peso, mas na medida certa, pontuam os detalhes da trama, baseada em um livro ( A Invenção de Hugo Cabret - Brian Selznick ) que certamente atende a todos os detalhes que sua adaptação cinematográfica reproduz.
    Com todos os elementos clássicos do cinema de entretenimento para a familia e ainda sim com um tom incrível de cinema-arte, falando sobre cinema e para quem realmente gosta de cinema. Hugo é um diálogo criador-criatura, é um olho no olho sobre como dialogar com o público, como atingir corações e sobre como contar uma história e principalmente como a máquina de sonhar nos faz cada dia mais ir além dentro da criança que existe em cada um de nós, afinal, sobre tudo isso é o cinema.