quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Never Let Me Go de Romanek

Eu comecei a ler o livro de Kazuo Ishiguro, Never Let me go. Mas como era em inglês a leitura se tornou muito cansativa e larguei de mão. Não posso dizer se a adptação é fiel ao livro, porém o que eu vi na tela foi bem prazeroso. Boas atuações, ótima fotografia, texto impecável e um sentimento de perda que fica no final se deve à tudo isso, pois quando o filme acabou foi dificil não pensar na vida daqueles personagens, e no que eles largaram mão para existirem.

Never Let me Go tem uma premissa no mínimo interessante, ao procurar sobre o filme pode-se esbarrar no gênero ficção científica. mas porque?! simples, a ficção científica está lá para quem quiser ver, mas tem que querer ver, pois ela usa uma capa da invisibilidade de tons pastéis, o que eu acredito ser um trunfo do longa. Camuflar os tons genéricos e transformar em algo novo, pois quem iria imaginar que algo tecnológico e científico poderia sair de um filme de tão sutil tema como a vida e a morte, e é claro, o amor.

O filme começa com um belo texto, narrado pela protagonista Kathy ( Carrey Mulligan de Educação ) que deixa claro uma cadência e nostalgia quase que burguesas ao relembrar do passado no colégio interno em que cresceu praticamente desde criança até a maioridade, e daí ela começa a contar fatos ocorridos no local, é aí que percebemos que algo é diferente, o lugar é totalmente isolado do mundo afora, as crianças não podem passar dos muros ou recebem punições e parece ter um ar de mistério envolvendo pulseiras magnéticas e uma máquina de controle. Fora todas as estranhezas a vida lá dentro é como uma outra qualquer, eles se irritam, se apaixonam, fazem laços de amizade e criam raízes, o que é fundamental para a questão humana da trama.

Pois é na questão humana que tudo deságua, quando descobrimos o mistério das crianças do internato, um novo mundo parece se abrir e o que era para ter sentido passa a não ter nenhum, mas isso não é defeito da direção, e sim algo a ser explorado pois o tema proposto é interessante o bastante para estabelecer o que cada um dos personagens representa naquele contexto. Ressalto também as atuações secundárias e Keira Knightley fazendo uma espécie de vilã redimida está muito boa e convence no discurso de arrependimento. E Andrew Garfield está ótimo com o peso dramático certo e seu papel no final do filme se torna poético o bastante para dar aquele aperto no peito. E se fosse comigo?


Nenhum comentário:

Postar um comentário