quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

O Lugar Qualquer de Coppola

É da auto-reflexão e da própria solidão de existir nesse mundo vago que se baseia Somewhere, o mais recente de Sofia Coppola. O filme é uma obra basicamente composta pelo vazio que é a vida do personagem principal ( Stephen Dorff ) - Um ator de filmes genéricos de ação que se vê num hotel chique e quase mitológico entre os famosos de hollywood, vivendo dias de ociosidade e conforto, com direito à duas strippers dançando pole-dance toda noite ( e essa cena é um dos trunfos do filme ).

Durante sua estada no Chateau Marmont - o filme foi rodado no lugar real - Johnny Marco de braço engessado recebe a visita da filha Cleo ( Elle Fanning ) e isso parece ser um sol no tempo nublado, a menina simplesmente torna o tédio em ouro com momentos singelos, porém muito carregados de emoção e amor pai-filha, uma das minhas sequências favoritas é exatamente a que mostra esses momentos sob o embalo da voz de Julian Casablancas dos Strokes, é sublime. A partir do momento em que é mostrada a mudança na vida de Johnny, sabemos que tudo aquilo terá que ter um fim, pois na vida existem momentos que servem para nos tirar da mesmiçe, como uma epifania, e foi isso que Cleo significou naquele momento. Uma esperança.

Na sequencia final, quando Johnny se vê sem a filha novamente, percebemos o que é a solidão apresentada nos segundos iniciais - quando ele dá voltas numa pista deserta durante tempo suficiente para nos perguntarmos o que leva uma pessoa a fazer aquilo. E a resposta é simples. Vazio. E o interessante de se ver, é como encaramos com naturalidade todos os contratempos mostrados, a exploração da mídia, as banalidades do mundo, assim como momentos de glória pública que todos tanto anseiam. Tudo isso perde para minutos com a filha brincando de cházinho no fundo de uma piscina.


Um comentário:

  1. A fama é apenas uma ilusão de que se está bem...a solidão reina lá '-'

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